quinta-feira, 20 de novembro de 2014

4º Encontro de Agricultores/as Experimentadores/as


Experiências de convivência com o Semiárido, economia solidária, cultura popular e agroecologia praticado por agricultores/as familiares, tem transformado a vida de centenas de pessoas do campo, possibilitando melhoria da renda familiar, segurança e soberania alimentar, além da preservação ambiental numa lógica de produção pautada na sustentabilidade.

As tecnologias de captação de água da chuva para produção de alimentos têm contribuído significativamente para um sertão melhor, mais justo e, sobretudo sustentável. A produção de alimentos a partir destas tecnologias, tem inclusive possibilitado processo inverso ao êxodo rural. Em alguns municípios já é possível encontrarmos agricultores/as familiares que migraram da cidade de volta ao campo para de lá tirar o sustento da família.

As feiras agroecológicas existentes nesta região tornaram-se espaços de troca de experiências entre os agricultores/as familiares, além de constituírem-se em “lugar de garantia de alimentos livre de agrotóxico”. A metodologia das feiras tem possibilitado o fortalecimento institucional das comunidades e o protagonismo, das mulheres, que são as principais envolvidas neste processo.

Estas experiências foram parcialmente sistematizadas pela COFASPI, com apoio de alguns projetos a partir de uma metodologia de comunicação popular seguindo a orientação metodológica utilizada pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), que tem como objetivo valorizar e dar visibilidade ao trabalho dos/as agricultores/as familiares, como exemplos de produção agroecológica e convivência com o Semiárido.

A fim de fortalecermos estas experiências, valorizar e dar visibilidade às atividades dos camponeses/as é que estamos realizando em comunhão com nossos parceiros, o 4º Encontro Regional de Agricultores/as Experimentadores/as que será realizado de 27 a 29 de novembro de 2014 em Jacobina-BA.


quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Projeto Mais Água realiza evento de encerramento em Jacobina

“Seja bem vindo olêlê, seja bem vindo olálá! Paz e bem pra você que veio participar!”. Com muita animação e um belo coro de 80 participantes, começou a Oficina de Integração Produtiva, Sensibilização Sócio Educacional e Sócio Organizacional com os agricultores e agricultoras familiares contemplados/as pelo Projeto Mais Água – Captação de Água de Chuva para o Semiárido Baiano.

O evento aconteceu no mês de setembro em Jacobina. Participaram do encontro famílias agricultoras dos municípios de Caém, Caldeirão Grande, Filadélfia, Pindobaçu, Ponto Novo e Saúde, contempladas pelo Projeto Mais Água.

A atividade consistiu em orientar no sentido do processo de produção para comercialização, principalmente no que se refere à produção orgânica, comercialização nas feiras municipais, agregação de preço nos produtos, organização da produção para não faltar, enfocando o papel do associativismo comunitário e o cooperativismo solidário da agricultura familiar e economia solidária.

Uma bela mística foi montada no espaço da oficina, composta por elementos levados pelos próprios agricultores, esses vindos das suas propriedades e que representam a melhoria da qualidade de vida e o potencial produtivo que o projeto proporcionou.

O professor Reis Oliveira, foi o mediador do evento e falou da importância do mesmo. “A agricultura familiar hoje é responsável pela produção de diversos ramos no campo da produção de alimentos, da soberania e segurança alimentar e nutricional, da sustentabilidade socioambiental, ela também é importante no sentido de gerar trabalho e renda e, também, no campo fitoterápico. Então acho que esse encontro foi muito importante, pois ajudou a reforçar toda essa ideia de protagonismo social dos agricultores e agricultoras”. Salienta o professor Reis.

Dona Mariza, do município de Filadélfia, se emocionou e gostou muito do evento. “Essa atividade me fez lembrar de quando eu era menina, a gente passou muita dificuldade por causa da seca, porque a gente não tinha essa ideia de economizar água nem produzir alimentos. Hoje, graças a Deus tamo bem melhor e pode melhorar mais ainda se a gente saber trabalhar”. Conta Dona Mariza.
 
O projeto teve grande importância nos Territórios Piemonte da Diamantina e Piemonte Norte do Itapicuru. Ao todo 885 famílias foram beneficiadas com as tecnologias de captação de água de chuva, fazendo com que as mesmas tenham uma vida mais digna, promovendo segurança alimentar e nutricional e geração de renda, mudando a realidade do semiárido e das famílias agricultoras.

O Projeto é realizado pela Cooperativa de Trabalho e Assistência à Agricultura Familiar Sustentável do Piemonte (COFASPI), fruto de um convênio entre o Governo do estado da Bahia, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (SEDES) e o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), em parceria com a Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA).

Fabiano Vidal
Comunicador Popular


quinta-feira, 23 de outubro de 2014

INTERCÂMBIO INTERESTADUAL: RICA AÇÃO DE TROCA E PARTILHA DE SABERES DE AGRICULTORES E AGRICULTORAS

“Na troca de experiência é que aprendemos muito mais”

O clima de alegria, entusiasmo e interesse em aprender mais, marcou o intercâmbio interestadual, entre 16, 17 e 18 de outubro, com agricultores e agricultoras familiares dos municípios de Várzea Nova, Ourolândia e São José do Jacuípe da Bahia, que partiram com destino ao município de Oricuri no Pernambuco, na busca de conhecer, ampliar e fortalecer aprendizados sobre estratégias de Convivência no Semiárido. Na viagem, a interação, brincadeiras, piadas, cantos e causos já tomava conta do intercâmbio que proporcionava muitos risos.

Os intercâmbios de experiências fazem parte do processo de formação e mobilização social para Convivência com o Semiárido do Programa Uma Terra e Duas Águas – P1+2, da Articulação Semiárido Brasileiro – ASA, que vem sendo executado pelo Movimento de Organização Comunitária – MOC em parceria com a Cooperativa de Trabalho e Assistência à Agricultura Familiar Sustentável do Piemonte – COFASPI. O intercâmbio, contou com apoio do Centro de Assessoria e Apoio aos Trabalhadores e Instituições Não-Governamentais Alternativas – CAATINGA.

No começo do dia, depois do merecido descanso e apesar das interações durante a viagem, a velha metodologia de apresentação para conhecer e saber de onde vinha cada um/uma. E as brincadeiras e piadas continuavam, arrancando altas risadas. Logo Dona Iridan apelidou dona Maria de Gatinho, em homenagem a um gato que passeava por lá. E assim, seguiram para as visitas.

A primeira visita foi realizada na sede rural da CAATINGA, na comunidade Lagoa do Urubu, que desenvolve ações que contribuem para a sustentabilidade dos agroecossistemas locais e de educação agroecológica, entre seus projetos esta o artesanato de madeira feito por um grupo de jovens. A animadora de campo, Cledivânia Lopes, apresentou um pouco sobre esse projeto. “A nossa sede aqui recebia muitas visitas de jovens, então o CAATINGA resolveu trazer algo que ocupassem o tempo deles, além de proporcionar renda, autonomia e permanência no campo. (...) Hoje, o grupo diminuiu, mas os que ficaram segue em frente com vontade e alegria, mesmo com os desafios a serem enfrentados”.

Após um delicioso almoço e bons papos, a visita seguinte foi no Assentamento Agrovila Nova Esperança, onde existe um projeto na escola da comunidade, que além de trabalhar com os alunos a Educação Contextualizada, fazem práticas agroecológicas, como canteiros econômicos, adubos orgânicos, biofertilizante, viveiro de mudas e casa de sementes, para incentivo da produção de alimentos sem o uso de agrotóxicos. O Agente Promotor de Agroecologia (APA) da CAATINGA, Romerio Mendes, explica como acontece esse trabalho. “Os alunos aqui estudam as disciplinas que já conhecemos dentro da Educação Contextualizada e ainda fazem um trabalho com hortas, tendo como base a agroecologia. (...) Meu trabalho é acompanhar as famílias e orientar na produção agroecológica, livre de veneno. São práticas muita rica para o nosso Semiárido. (...) A que acho mais linda é a prática de guardar semente, é o luxo do nosso Sertão”.

Ainda na mesma comunidade, em um lindo quintal produtivo, o senhor José Nilton aguardava para contar e mostrar sua experiência. “Nossa que coisa linda”! Essa foi a reação do povo quando viram a belezura e diversidade daquele quintal, implantado em um lugar que sofre logos períodos de estiagem. Puderam perceber que com determinação as alternativas de convivência superam os desafios encontrados. “Estava me preparando para ir embora, quando a CAATINGA chegou com essa novidade de quintal produtivo, ai resolvi encarar e deu certo. De lá pra cá estamos criando e inventando meios de conviver, sem pensar em sair do nosso lugar”, conta o agricultor experimentador José Nilton.

Entre uma experiência e outra os cochichos, anotações e registros do que ali era visto e ouvido. “Quero aprender muita coisa boa, pois tenho pouco conhecimento com essas práticas, mas tenho muito interesse em aprender”, diz dona Iridan. Já o senhor Silvinio, fala em fortalecer o que tem. “Tenho uma boa produção para o consumo, agora com esse tão de biofertilizante que apendi, vou tentar aumentar mais um pouquinho. Se Deus quiser”!

Voltando para seus aconchegos, deixam um pouco de seus saberes e leva um pouco de outros, na esperança de renovar energias nas suas experiências de conviver bem no Semiárido.


E para agradecer Dona Averita da Silva canta uma linda canção:

“Senhor, eu quero agora te agradecer
Por tudo que o Senhor me fez saber
São coisas que eu nunca merecia
Senhor, aceite essa minha humilde canção
Que sai de dentro do meu coração
Agradeço primeiramente a ti Senhor”.




 Robervânia Cunha – Comunicadora Popular da COFASPI



segunda-feira, 20 de outubro de 2014

PRÊMIO MANDACARU II: FORTALECENDO AS FEIRAS AGROECOLÓGICAS NO PIEMONTE

                                    “Nós não somos sós,  somos uma rede de feiras, que se fortalece e  se anima para trabalhar e seguir em frente” . Veraneide –Saúde.

A Rede de Feiras Agroecológicas Solidárias do Piemonte da Diamantina – REFAS recebeu nos dias 09 e 10 de outubro, a visita da coordenadora técnica do Prêmio Mandacaru II, Maiti Fontana, Consultora Socioambiental do Instituto Ambiental Brasil Sustentável (IABS), que se reuniu com a equipe do Projeto de Apoio à Prática Inovadora de Fortalecimento da Rede de Feiras Agroecológicas do Piemonte da Diamantina como estratégia de Convivência com o Semiárido,  apoiado pelo Prêmio Mandacaru II e  executado pela Cooperativa de Trabalho e Assistência à Agricultura Familiar Sustentável do Piemonte (COFASPI).

Na oportunidade, Maiti visitou agricultores/as em suas propriedades e as Feiras agroecológicas apoiadas pelo prêmio nos municípios de Jacobina Caém e Saúde.
A Rede de Feiras Agroecológicas do Piemonte surgiu como uma oportunidade de fortalecer as 10 Feiras Agroecológicas existentes nos municípios que compõem o Território. Dessa forma, o Prêmio Mandacaru II, apoiou as feiras com visitas e assistência técnica, oficinas, intercâmbios de experiências e suporte com materiais de comunicação que além de reforçar a importância de consumir alimentos saudáveis e livres de agrotóxicos também está divulgando as feiras nos municípios.


Após uma reunião na sede da COFASPI, a coordenadora do Prêmio Mandacaru fez visita de campo nas propriedades dos agricultores/as que participam das feiras nos respectivos municípios. Visitas estas onde pode ser evidenciado o processo produtivo de agricultores que prezam pela agroecologia e preservação do meio ambiente como todo, garantindo à mesa da população, alimentos livres de agrotóxicos.


Em cada fala ou olhar, os agricultores/as expressavam a mudança de vida a partir da produção agroecológica, garantindo alimentação saudável à suas famílias, além de possibilitar aumento da renda através da comercialização do excedente desta produção.

Como diz dona Zenaide (Feira/Saúde), começamos da raiz, lutamos muito para formar a nossa feirinha, mas graças a Deus conseguimos. (...) Os intercâmbios que a gente participou foram muito bons, conhecemos gente nova e aprendemos muita coisa que veio com o Prêmio Mandacaru.  A gente ver que as pessoas ainda não têm consciência, mas precisam saber qual alimento que tão levando para sua família.
“A feira foi a realização de um sonho e vem para nos completar. (...) Eu acho que o diferencial da feira orgânica é que além de gerar nossa renda, os produtos que comercializamos ajuda as pessoa  a ter um a vida de qualidade, consumindo alimentos saudáveis. Então tudo isso só vem a somar na nossa vida”. Janete Rodrigues/Feira Agroecológica de Caém.

Por fim, o prêmio Mandacaru tem contribuído e muito com a melhoria da qualidade de vida das pessoas do território, garantindo alimentos saudáveis e gerando renda, nesta perspectiva, a agricultura tem se fortalecido como ações como estas desenvolvidas pela COFASPI e outras entidades que acreditam sem medo de errar que a agricultura familiar é além de tudo uma alternativa viável para reduzir as desigualdades sociais e o êxodo rural numa perspectiva de emancipação do ser humano que torna-se protagonista da sua história fazendo do campo do Semiárido, um lugar cada vez melhor de se viver.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

35 ANOS DE MISSÃO DA TERRA

Nordestinos e Nordestinas das regiões de Jacobina, Cansanção e Bonfim, celebraram ontem,(28/09) a 35ª Missão da Terra em Saúde-BA. 

Com a participação de aproximadamente 8.0000 romeiros/as, A Missão da Terra, mais que um ato religioso se fortalece a cada ano como um símbolo de luta e resistência dos camponeses/as na luta em defesa da terra, da água e do povo oprimido.

Realizado pela CPT - Comissão Pastoral da Terra, a Missão da Terra teve início no Posto Mariquita, próximo à cidade de saúde e com uma caminhada de aproximadamente 5 kms, participantes entoavam cantos que representavam e ainda representam a identidade cultural e religiosa dos sertanejos, sobretudo das comunidades rurais da região, mantendo viva a tradição de 35 anos de fé, luta, organização e resistência.

Como de costume, a partilha do almoço com as farofas trazidas pelos romeiros/as foi realizado nas praças da cidade, debaixo de árvores ou de qualquer outro instrumento capaz de garantir sombra. Foi tomando conta da cidade, que milhares de pessoas partilharam coisas trazidas das comunidades e que pudessem servir de alimento. 

Às 16:30 uma celebração encerrou as atividades com envio dos romeiros/as

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

MOC realiza Intercâmbio intermunicipal com agricultores dos municípios de Várzea Nova e São José.

Os intercâmbios de experiências de agricultores faz parte da metodologia de formação adotada pela ASA e é uma ferramenta que proporciona troca de experiências, produtos, saberes e sabores, enriquecendo ainda mais o trabalho de milhares de agricultores e agricultoras deste tão rico Sertão.

Foi nesta perspectiva que o MOC realizou, com apoio da COFASPI através do projeto P1+2 apoiado pela Fundação Banco do Brasil, o Intercâmbio intermunicipal de agricultores dos municípios de Várzea Nova e São José. O intercâmbio foi realizado na comunidade de Inácio João em Caém e possibilitou aos agricultores que estão conquistando tecnologias sociais de produção, ampliar os conhecimentos para tornar tais tecnologias ainda mais produtivas, garantindo às famílias a segurança e soberania alimentar na perspectiva de respeito ao meio ambiente e convivência com o Semiárido.




sexta-feira, 19 de setembro de 2014

COFASPI participa de evento internacional sobre inclusão Digital em Feira de Santana

Através de uma parceria entre o Instituto Belgo-Brasileiro de Cooperação para o Desenvolvimento Social – DISOP e a Ong Belga Comundos, foi realizado um Seminário Internacional de Inclusão Digital em Feira de Santana - BA. O evento aconteceu no Centro de Orientação Vocacional Mãe Igreja (Chácara dos padres), nos dias 10 e 11 de setembro. A COFASPI (Cooperativa de Trabalho e Assistência à Agricultura Familiar Sustentável do Piemonte) esteve presente através do Comunicador Popular Fabiano Vidal.

Voltado para educadores e outros profissionais de escolas e projetos sociais, para que possam inserir ludicamente novas tecnologias, a atividade teve o objetivo de apresentar e avaliar o potencial de aplicabilidade das metodologias de Histórias Digitais pelas organizações que a DISOP apoia no Brasil. Essas histórias são ferramentas simples que possibilitam a visibilidade de fatos, movimentos e vidas que refletem sobre temas delicados ou iniciativas positivas para mudanças sociais.

Outras entidades também participaram do evento: Rede Parceiros da Terra (Reparte), Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável e Solidário da Região Sisaleira (APAEB), Associação das Comunidades Paroquiais de Mata Escura e Calabetão (ACOPAMEC), Rede de Escolas Famílias Agrícolas Integradas do Semiárido (REFAISA), Centro de Apoio aos Pequenos Empreendimentos (CEAPE), Escola Família Agrícola Avani de Lima Cunha (EFA), Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Baixa Grande (STTR), Centro de Assessoria do Movimento Popular (CAMPO – RJ), dentre outras.

O belga Bart Vetsuypens foi o facilitador do seminário e falou um pouco sobre o encontro. “Foi muito bom encontrar essa rede. É um grupo muito bom, afinado e com foco. São de diferentes contextos, urbanos e rurais, mas com um engajamento muito bom, é um grupo que se complementa. A ideia é nos encontrarmos no futuro para dar continuidade a esse projeto de histórias digitais, já que daqui saíram muitas histórias que provocaram sentimentos e iniciativas inspiradoras”.

Adriana Fernandes, da ACOPAMEC, uma entidade que trabalha com crianças, adolescentes e jovens, avaliou como positivo o seminário. “A importância desse encontro sobre inclusão digital, foi perceber que com poucos recursos tecnológicos a gente pode favorecer a reflexão de temas sociais importantes, envolvendo e capacitando jovens e adolescentes para discutir temáticas que são atuais. Acho que como estratégia e instrumento de formação, pode nos ajudar muito a divulgar nossas ações e também, mostrar os resultados. Acredito que esse seminário vai ajudar muito todas as entidades”, frisa Adriana.

Todos os representantes das entidades saíram satisfeitos e motivados da atividade, salientando que colocarão em prática em suas localidades tudo que aprenderam. Uma nova etapa do seminário na viabilização do projeto ocorrerá no Rio de Janeiro e em Valente (BA), em fevereiro de 2015.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Comunidades do município de Caldeirão Grande celebram com alegria a chegada das Tecnologias Sociais de Captação de Água de Chuva para Produção de Alimentos e Dessedentação Animal

As comunidades de Quati, Mamota, São João, Quixaba, Castelo, Índios e Umburana, do município de Caldeirão Grande, se reuniram no último domingo, 14 de setembro de 2014, na casa de seu Alberto, beneficiário e membro da Comissão Municipal da Água, para “inaugurar” as tecnologias sociais implementadas pela Cooperativa de Trabalho e Assistência à Agricultura Familiar Sustentável do Piemonte - COFASPI, por meio do Projeto Mais Água: Captação de Água de Chuva para Produção no Semiárido Baiano.
                                                         
O objetivo da comemoração foi festejar com as famílias a conquista do direito de acesso à água para produção e criação animal por meio dessas tecnologias sociais. Além de promover uma exposição das verduras, legumes, frutas e folhas que as famílias já estão produzindo para alimentação em casa e comercialização do excedente.

O festejo contou com a participação de todas as famílias beneficiadas nessas comunidades, membros da comissão municipal da água (Alberto, Manoelito e Paula), membros da COFASPI (Nara Lígia – Coordenadora e José Nilton – Técnico de Campo de Caldeirão), o Prefeito Netinho e a Primeira Dama e o secretário de agricultura.

Na oportunidade, a COFASPI, responsável pela execução do Projeto Mais Água, informou às famílias que o Projeto já está em fase final, ou seja, todas as tecnologias já foram implementadas. No entanto, a entidade participou de outro processo seletivo e aguarda a liberação do recurso para iniciar a implementação de outras tecnologias no município.

A Comissão Municipal da Água considera importante que esses momentos aconteçam, inclusive faz questão de incentivar, para que as famílias consigam perceber a importância das tecnologias sociais, não só para elas, mas para outras famílias que também foram contempladas. De acordo com as famílias a ida às feiras agora é apenas para comprar o que a família não produz, desse modo a economia no final do mês é boa.

Ao final, as famílias promoveram a troca solidária dos produtos levados para exposição. Momento de alegria e satisfação em poder contribuir doando um produto seu para outras famílias.

sábado, 13 de setembro de 2014

TROCANDO EXPERIÊNCIAS PARA UMA ALIMENTAÇÃO LIVRE DE AGROTÓXICO

“A gente faz agricultura há tanto tempo, e só agora vimos nos sentir parte dela”.

Quarta feira, 10 de setembro de 2014. O sol mal estreava seus primeiros raios quando na comunidade de Jenipapo fomos recebidos com um delicioso café da manhã com direito a beiju recheado, entre outras comidas do lugar.

A simpática comunidade do município de saúde recebia cerca de 30 agricultores/as de vários municípios integrantes da REFAS (Rede de Feiras Agroecológicas Solidárias do Piemonte). Estava iniciando um rico intercâmbio, para, entre uma piada e outra, trocar experiências de união e solidariedade na construção de um mundo novo e de vida na labuta do campo pela garantia de uma alimentação saudável e livre de agrotóxico.

Após o Café da manhã, os agricultores/as visitaram a propriedade de dona Maria, que orgulhosa nos mostrava sua abóbora “gigante”, dizendo ser a segunda daquele mesmo pé. “Não pode tocar não senão seca”, disse uma agricultora para a graça dos demais que caíram na risada. Segundo ela, se tocar no fruto antes do tempo o mesmo pode secar e cair. O caso foi levado a sério pelos demais.

Em seguida conhecemos a rica experiência de Dona Celina, agricultora que com orgulho nos apresenta sua produção orgânica no quintal da casa. “Quando chega na feira não dá pra quem quer”, diz ela, falando do óleo de licuri que produz e vende na feira agroecológica de Saúde. “É daqui que tiro meu sustento... todo santo dia eu tô aqui. No dia que dá 5 da manhã, se este rádio não ligar estas galinhas correm tudo pra porteira”. Segundo Dona Celina, as galinhas acostumaram tanto com sua presença, que sua ausência é sentida pelos animais. Deixar o rádio ligado é uma forma de “dizer” a eles que ela está por perto.

Além da produção Agroecológica, Dona Celina também cria patos, peixes e porcos, são estes animais que fizeram com que Breno, seu neto de 9 anos, escolhesse ficar na roça ao invés de voltar à São Paulo onde morava com o pai.

“Coisa linda! Deste pé eu quero uma muda”, diz dona Joelita, acabávamos de chegar no Projeto Florescer, onde mulheres da comunidade tiram o sustento com o cultivo de flores ornamentais ao lado de hortaliças plantadas em área coletiva.

A união é o ingrediente principal na produção agroecológica. Nesta visita, pudemos perceber que a união se dá também para as necessidades da comunidade, é o que aconteceu, por exemplo, para a construção da “barraginha”. Neto e Vera, moradores da comunidade, orgulhosos dizem como foi o processo de construção da barragem, onde só foi possível com participação e envolvimento de toda comunidade através de mutirão, bingos e rifas.

“Ligeiro que deu fome...” Disse dona Joelita enquanto tomava água de um coco que tinha acabado de cair. O tempo passou rápido, mal nos demos conta e já era quase 13 horas.

Após almoço, fomos recepcionados na sede da associação onde o presidente da mesma expôs a história da comunidade. Em seguida o intercâmbio seguiu com monitoramento do Prêmio Mandacaru, executado pela COFASPI (Cooperativa de Trabalho e Assistência à Agricultura sustentável do Piemonte) e em seguida realizado o planejamento de algumas ações da REFAS com intuito de fortalecer cada vez mais a rede de comercialização na garantia de alimentos saudáveis e melhoria da vida no semiárido.

Na avaliação, os/as agricultores/as falaram da importância da troca de saberes e da importância da experiência da comunidade de Jenipapo para o fortalecimento da agricultura familiar no Território a partir do propósito da REFAS e das ações de desenvolvidas pela COFASPI.

Ao final de mais um dia, a necessidade de voltar pra casa, superou a vontade de continuar na agradável comunidade. Mas, nas sacolas de cada participante, ia mais que bananas, alfaces, flores, doces e temperos. Na bagagem, cada agricultor/a levava também um pouco mais de esperança e vontade de permanecer na luta pela produção de alimentos livre de veneno por uma vida melhor.


Texto e fotos: Farnésio Braz