quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

4º Encontro Regional de Agricultores e Agricultoras Experimentadores/as

CONVIVÊNCIA COM O SEMIÁRIDO: Soberania alimentar e qualidade de vida na agricultura familiar

O dia amanheceu em festa, no dia 27 de novembro, para receber de diversos municípios da região agricultores/as familiares, na sede da Cooperativa de Trabalho e Assistência à Agricultura Familiar Sustentável do Piemonte – COFASPI, para dá inicio ao primeiro momento do 4º Encontro Regional de Agricultores e Agricultoras Experimentadores/as. Esse encontro é uma realização da COFASPI, com apoio da Rede de Parceiros da Terra (REPARTE), Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE) e Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE).

Com o tema: CONVIVÊNCIA COM O SEMIÁRIDO: Soberania alimentar e qualidade de vida na agricultura familiar. O evento teve na abertura mística com os elementos essenciais para a vida, símbolos que fortalecem as experiências, valorizam e dão visibilidade às atividades dos agricultores/as. “Mãos que alimentam a nação”.
 Na mesa de abertura, Leonardo Lino (Diretor/Presidente da COFASPI), além de dar as boas vindas e desejar um ótimo encontro de troca e partilha de experiências e experimentos, fala sobre objetivo e importância desse encontro. “O encontro de agricultores e agricultoras experimentadores/as é para mostrar para a sociedade como um todo, onde está à experimentação, a experiência, a pesquisa de verdade. A pesquisa experimentada acontece no quintal de cada agricultor e agricultora. É lá onde vocês testam, experimentam e tiram os resultados de cada pensamento, dica ou ideia trocada entre vocês”.
Em seguida, uma mesa técnica desperta atenção dos agricultores/as pela temática voltada às novas perspectivas para agricultura familiar, discutiu os temas Política de Convivência no Semiárido, ATER (Assistência Técnica e Extensão Rural) e Comercialização dos produtos da agricultura familiar. Contando com a participação de Agnaldo Rocha (ASA/Bahia-Cáritas NordesteIII), Robson Aglayton (ASCOOB/COFASPI) e Farnésio Braz (Fórum Baiano de Economia Solidária).

O segundo dia, o aconteceu intercâmbios de experiências sobre convivência com o Semiárido com base nos princípios da agroecologia, praticadas por outros s agricultores/as experimentadores/a familiares, que vem buscando alternativas de melhorar a vida no campo, garantindo renda familiar, segurança e soberania alimentar, além da preservação ambiental numa lógica de produção pautada na sustentabilidade. Em quatro grupos os agricultores/as seguiram para visitar 4 experiências diferentes: As comunidades de Coxo e Várzea Nova, Município de Jacobina. E no município de Caém, as comunidades do Giral e Inácio João.

As visitas da experiência da comunidade de Coxo de Dentro aconteceram na Associação Comunitária dos Moradores e Agricultores de Cocho de Dentro, que trabalham com extrativismo, beneficiamento de coco babaçu. E ainda, nas propriedades das agricultoras Conceição Almeida e Maria Conceição Correia. Que contam com diversidade de produção de alimentos saudáveis e livres de agrotóxicos, comercializados na Feira Agroecológica de Jacobina.

A comunidade de Várzea Nova é marcada pela união e organização das famílias para conquistar melhores condições de vida e garantir a permanência no campo. Como exemplo, a conquista da cisterna de consumo, energia elétrica, água encanada e as cisternas de produção, através COFASPI, pelas quais as famílias passaram a produzir hortaliças, verduras e frutas, já que antes o único plantio era a mandioca. Atualmente, além da farinha, algumas famílias juntam o excedente da produção e comercializa uma vez por semana numa mesma barraca no distrito de Junco/Jacobina. “Se não fosse nossa união não teríamos nada aqui”, diz Lindalva.

Na comunidade de Giral, a visita foi na propriedade de Joaci, onde os agricultores puderam conhecer sua família, a criação de abelhas apis, a fabricação caseira de queijo de cabra, a criação de cabras em aprisco suspenso e o barreiro trincheira construído pela COFASPI através do Projeto Mais Água. A experiência de Joaci foi um motivadora para os agricultores que participaram deste intercâmbio, sua experiência na agricultura familiar e sua relação com o Semiárido serve de exemplo para aqueles/as que buscam no sertão, alternativas para uma vida cada vez melhor.

Em seguida conhecemos a casa de farinha da comunidade e a propriedade do senhor Dourival, onde, segundo ele, com muito amor preserva a agricultura tradicional de subsistência. “Aqui tem de tudo um pouco, mas além de tudo que tem plantado, tem muito amor pelo que faço”, diz seu Dourival emocionado e emocionando enquanto acrescenta que tira da roça o suficiente para ter uma vida digna e feliz. “Foi daqui que consegui tornar 2 filhos doutores”.
Na comunidade de Inácio João, as famílias conheceram a propriedade de dona Janete, mulher guerreira, agricultora experimentadora que luta pela melhoria de vida dos produtores rurais.  Em sua propriedade, ela recebeu uma cisterna calçadão do P1+2 a três anos. Hoje ela cultiva hortaliças com canteiros de lona sem alvenaria, produz temperos orgânicos com produtos cultivados em sua propriedade, onde vende na Feira Agroecológica de Caém, que também é fruto da COFASPI. Ela ministra cursos para outras agricultoras que tenham interesse em disseminar a receita do tempero. Além disso, dona Janete agrega valores a sua renda com a fabricação de sabonetes com ervas medicinais produzidas em sua propriedade. Janete é um exemplo de que é possívelviver bem no semiárido. Durante a visita, houve muito bate-papo e trocas de experiências, além de muita animação, que tornou o momento ainda mais agradável e produtivo.
Mais tarde, os grupos retornaram das visitas, para socializar os conhecimentos adquirindo, saberes e sabores a partir das visitas, além de apresentar elementos que caracterizam as comunidades e propriedades visitadas. E assim, com alegria e cantoria foi realizada uma mística de encerramento.

A noite foi celebrada com uma belíssima caminhada ao som da banda de pífanos pelas ruas da Praça da Missão/Jacobina, chegando ao espaço da Concha Acústica, onde agricultores/as, membros da COFASPI integrados aos demais participantes puderam assistir e participar do samba de roda e do forró pé de serra, característico da cultura popular. Experiências essas, mostram que a convivência no Semiárido vai além do acesso à água e agricultura familiar, mas envolve também o resgate e a valorização das manifestações culturais populares, que são riqueza do nosso Semiárido.



Celebrando as conquistas de um Semiárido rico em possibilidades!
 

Comunicação Popular da COFASPI

EDITAL PARA SELEÇÃO DE PESSOAL - 02/2014

COFASPI – COOPERATIVA DE TRABALHO E ASSISTÊNCIA À AGRICULTURA FAMILIAR SUSTENTÁVEL DO PIEMONTE

A Presidente da Comissão de Seleção de Pessoal da COFASPI – Cooperativa de Trabalho e Assistência à Agricultura Familiar Sustentável do Piemonte, instituída pela Resolução 01/2014 de 19/02/2014 da presidência da Instituição, torna público que estará recebendo inscrições com o objetivo de selecionar profissionais para trabalhar no PROJETO MAIS ÁGUA II: Captação de Água de Chuva para Produção e Dessedentação no Semiárido Baiano, CONTRATOS Nº 060/2014 e 061/2014, ESTADO/SEDES/COFASPI.

1. VAGAS:

Animador/a: 03 (Três).

2. LOCAIS DE TRABALHO:

Os locais de trabalho terão como referência os municípios de Jacobina, Ponto Novo, Caldeirão Grande, Filadélfia, Pindobaçu, Caém, Saúde, Várzea Nova e Mirangaba, a ser acertado com os/as candidatos/as no momento da contratação.

3. FASES DO PROCESSO SELETIVO:

1ª Fase - Análise de currículo;
2ª Fase - Entrevista, em sequência eliminatória.

4. ATRIBUIÇÕES E REQUISITOS:

4.1. Animador

a. Atribuições:

Realizar os processos de seleção e cadastramento das famílias;
Organizar e realizar reuniões nas comunidades;
Organizar e acompanhar cursos e capacitações;
Promover e organizar eventos (reuniões, oficinas, cursos, seminários, workshops e debates); Acompanhar visitas e intercâmbios técnicos;
Acompanhar os pedreiros, sobretudo, nas construções;
Acompanhar os processos de escavação das tecnologias;
Acompanhar a implantação e dimensionamento dos quintais produtivos;
Desenvolver trabalho educativo em comunidades rurais;
Preenchimento de formulários, relatórios, fichas, lançamento de dados em planilhas do Excel;
Acompanhar a construção e implantação das tecnologias e, equipamentos outros de captação e armazenamento de água da chuva;
Participar na formulação, sistematização e difusão de experiências e processos de assessoria técnica pedagógica propostos em seu campo de atuação, produzindo, ou contribuindo para a produção, de materiais de divulgação (artigos, papers, vídeos, livros, cartilhas, programas de rádio, etc.).

b. Requisitos:

Ensino médio completo (Preferencialmente técnico em agropecuária, zootecnia, ou similares);
Domínio de leitura e escrita;
Habilidade de preenchimento de questionários;
Experiência comprovada em assuntos relacionados com as atividades a serem desempenhadas;
Disponibilidade para residir nas cidades referenciais citadas acima (Jacobina, Ponto Novo, Caldeirão Grande, Filadélfia, Pindobaçu, Caém, Saúde, Várzea Nova e Mirangaba);
Ter disponibilidade para contratação imediata;
Ter disponibilidade para trabalhar em tempo integral (40 horas) e para viagens eventuais;
Carteira de habilitação A, B;
Domínio de microinformática (Word, Excel, PowerPoint, ferramentas de Internet);
Familiaridade com equipamentos de comunicação (máquina fotográfica, filmadora, GPS, etc.);
Redação própria e capacidade de sistematização de ideias e propostas;
Criatividade e capacidade de se relacionar em equipe, liderança e iniciativa;
Possuir ou disponibilizar transporte próprio, tipo moto (INDICAÇÃO: Motocicleta tipo Off-road (suspensão alta), 4 tempos 125 ou 150 cilindradas).


5. PROCEDIMENTOS PARA INSCRIÇÃO:

a. Entrega de Currículo Vitae pelo endereço eletrônico da COFASPI, (cofaspi@yahoo.com.br), constando a vaga pretendida e o termo: CONTRATOS Nº 060/2014 e 061/2014, ESTADO/SEDES/COFASPI.  Ou,
b. Pode ser entregue, também, na Sede da COFASPI, no endereço: Rua da Aurora, 90, Leader, CEP 44.700-000, prédio da Cúria Diocesana, 1º andar, Jacobina-BA, em envelope fechado, com a descrição da vaga pretendida, acrescida da expressão: CONTRATOS Nº 060/2014 e 061/2014, ESTADO/SEDES/COFASPI. Ou,
c. Os currículos, também, poderão ser enviados pelos Correios com AR (Aviso de Recebimento) constando os dados citado anteriormente.

Observação: O escritório SEDE da COFASPI entrará em recesso natalino entre os dias 20 de dezembro de 2014 e 04 de janeiro de 2015. Retomando suas atividades normais no dia 05 de janeiro de 2015.

6. PRAZOS:

Serão aceitos e analisados os currículos recebidos até as 18:00 h do dia 18 de dezembro de 2014.

O resultado da aprovação da primeira etapa (análise de currículos) será publicado no dia 19 de dezembro de 2014 (www.cofaspi.blogspot.com).

7. OCORRÊNCIA DAS DEMAIS FASES:

As entrevistas, apenas para os aprovados na seleção de currículos, serão realizadas no dia 09 de janeiro de 2015, às 09:00 horas, na sede do COFASPI.

8. DURAÇÃO DA CONTRATAÇÃO:

A contratação será em regime de CLT, por tempo indeterminado.

9. RESULTADO FINAL:

Será divulgado no endereço www.cofaspi.blogspot.com até o dia 12 de janeiro de 2015.

10. VALIDADE:

Este processo seletivo terá validade de 90 dias, findo os quais, não havendo liberação dos recursos do Contrato, estará automaticamente cancelado.

Observação: A contratação estará condicionada a liberação da primeira parcela do referido Contrato.

11. DAS DISPOSIÇÕES FINAIS:

a. A COFASPI se reserva ao direito de não contratar ninguém para essas funções, caso os currículos e/ou entrevistas não preencham os requisitos exigidos neste edital.

b. A COFASPI não custeará as despesas de deslocamento (terrestre ou aéreo), hospedagem e alimentação dos/as candidatos/as selecionados/as para a entrevista.

Outras informações:
Telefone: (74) 3622 - 0017.

                                  
                                Jacobina, BA, 03 dezembro de 2014.                                  
Nara Lígia Almeida Silva
Presidente da Comissão de Seleção

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Deitado numa rede na varanda, depois do flahs (ou flash?) mob em Feira de Santana, pelos 15 anos da ASA

E o matuto rapaz,
Pense num caboquin de sabença armorial, de inteligência suassúnica, de valentia lapiônica.
Foi só tocar a buzina, o semafro esverdear de um lado e avermelhar do outro que ele nem amarelou, enfiou o dedo no botão do megafone e esparramou notícia boa na cidade grande e a caboquinha de dedos violônicos e buniteza matreiramente faceira, ligou o botão da corneta e chamou o povo pra escutação.
E saiu gente de tudo quanto é lado cordelicamente distribuindo sabenças. 
Um fubazin de mii orgânico produzido no quintal de seu João e dona Maricota, apelidadamente falando, dona Cotinha de seu Jãozin. 
Beijuzin de tapioca, um trenzin chamado sequilho, um docin arrumado dentro de um vidro adesivado que respondia pelo nome de geleia e um vintém de mel cuado.
Tinha até gente fazendo encenação, mostrando teatralmente como moiá as fôia da alface numas peneiras agroecologicamente esverdeadas.
Gente segurando faixa cun’s dizimento bunito de nossas trabaiação e uns cabôco carregano pirulito que é o nome muderno de umas plaquinha de informação.
Tinha intrevistadô cun’s microfone na mão e uns cabra chamado retrateiro que guardava os retrato dentro de uns aparein preto chamado máquina digital. As moça retrateira até baton passou, num sei se pra retratar ou ser retratada.
E mais um muntuêro de gente com tanta escrivinhação e pidição dos retrato e das filmagens (óia que nome internacioná) pra fazer uma matéria pra amostrar num tar de facebook.
Agora, eu que fiquei ispiano, escutano as falação, só espero que no dia que a ASA completar 50 anos eu descubra o que é RAS-TE-GUE!!!
Pronto! Contei tudin!!!

Por Agnaldo Rocha

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

COFASPI finaliza escavações do Aditivo de Metas do Projeto Mais Água


Com o intuito de ampliar o número de tecnologias e a quantidade de famílias atendidas pelo Projeto Mais Água – Captação de água de chuva para produção no Semiárido baiano, a Cooperativa de Trabalho e Assistência à Agricultura Familiar Sustentável do Piemonte – COFASPI, solicitou da Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza – SEDES, financiadora, Aditivo de Metas para a implementação de três Barreiros Trincheira Comunitários (BTC’s) e quinze Barreiros Trincheira Familiares (BTF’s). Desse modo, o Projeto passa a atender duzentos e sessenta famílias, por meio de vinte e seis BTC’s e, duzentos e setenta e sete famílias com os BTF’s.

Os BTC’s substituíram as Bombas D’Água Populares (BAP’s), que não puderam ser implementadas nos Municípios de Caém, Caldeirão Grande e Filadélfia. Os mesmos foram implementados no Assentamento Canaã, no Município de Pindobaçu, por se tratar de Comunidade Tradicional com demanda de tecnologia de produção.

O Projeto Mais Água está em fase de finalização, todas as tecnologias previstas para execução foram implementadas, totalizando seiscentos e sessenta e seis tecnologias sociais de captação de água de chuva para produção e dessedentação animal. Com as chuvas nos seis municípios de atuação, Caém, Caldeirão Grande, Saúde, Pindobaçu, Ponto Novo e Filadélfia, as tecnologias começam a captar a água da chuva e encher de esperança as novecentas famílias atendidas durante sua execução.

Nara Lígia, Coordenadora do Projeto fala sobre a finalização das atividades: “O sentimento de dever cumprido se confundi com a alegria de trazer mais esperança e oportunidade para as famílias sertanejas. Garantir o acesso à água para produção e criação animal, dar condição ao consumo de alimentos saudáveis produzidos pelos/as agricultores/as familiares atendidos pela COFASPI é o resultado de um trabalho de quase dois anos, realizado com muito carinho, dedicação e entusiasmo. Na certeza de um semiárido mais justo, por meio do processo de convivência, a COFASPI continua trilhando caminhos de esperança e muito trabalho, na busca da garantia do acesso à água para famílias que tiveram esse direito negado por anos. O Projeto está finalizando, mas a Cooperativa continua com sua luta”. Comemora.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

4º Encontro de Agricultores/as Experimentadores/as


Experiências de convivência com o Semiárido, economia solidária, cultura popular e agroecologia praticado por agricultores/as familiares, tem transformado a vida de centenas de pessoas do campo, possibilitando melhoria da renda familiar, segurança e soberania alimentar, além da preservação ambiental numa lógica de produção pautada na sustentabilidade.

As tecnologias de captação de água da chuva para produção de alimentos têm contribuído significativamente para um sertão melhor, mais justo e, sobretudo sustentável. A produção de alimentos a partir destas tecnologias, tem inclusive possibilitado processo inverso ao êxodo rural. Em alguns municípios já é possível encontrarmos agricultores/as familiares que migraram da cidade de volta ao campo para de lá tirar o sustento da família.

As feiras agroecológicas existentes nesta região tornaram-se espaços de troca de experiências entre os agricultores/as familiares, além de constituírem-se em “lugar de garantia de alimentos livre de agrotóxico”. A metodologia das feiras tem possibilitado o fortalecimento institucional das comunidades e o protagonismo, das mulheres, que são as principais envolvidas neste processo.

Estas experiências foram parcialmente sistematizadas pela COFASPI, com apoio de alguns projetos a partir de uma metodologia de comunicação popular seguindo a orientação metodológica utilizada pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), que tem como objetivo valorizar e dar visibilidade ao trabalho dos/as agricultores/as familiares, como exemplos de produção agroecológica e convivência com o Semiárido.

A fim de fortalecermos estas experiências, valorizar e dar visibilidade às atividades dos camponeses/as é que estamos realizando em comunhão com nossos parceiros, o 4º Encontro Regional de Agricultores/as Experimentadores/as que será realizado de 27 a 29 de novembro de 2014 em Jacobina-BA.


quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Projeto Mais Água realiza evento de encerramento em Jacobina

“Seja bem vindo olêlê, seja bem vindo olálá! Paz e bem pra você que veio participar!”. Com muita animação e um belo coro de 80 participantes, começou a Oficina de Integração Produtiva, Sensibilização Sócio Educacional e Sócio Organizacional com os agricultores e agricultoras familiares contemplados/as pelo Projeto Mais Água – Captação de Água de Chuva para o Semiárido Baiano.

O evento aconteceu no mês de setembro em Jacobina. Participaram do encontro famílias agricultoras dos municípios de Caém, Caldeirão Grande, Filadélfia, Pindobaçu, Ponto Novo e Saúde, contempladas pelo Projeto Mais Água.

A atividade consistiu em orientar no sentido do processo de produção para comercialização, principalmente no que se refere à produção orgânica, comercialização nas feiras municipais, agregação de preço nos produtos, organização da produção para não faltar, enfocando o papel do associativismo comunitário e o cooperativismo solidário da agricultura familiar e economia solidária.

Uma bela mística foi montada no espaço da oficina, composta por elementos levados pelos próprios agricultores, esses vindos das suas propriedades e que representam a melhoria da qualidade de vida e o potencial produtivo que o projeto proporcionou.

O professor Reis Oliveira, foi o mediador do evento e falou da importância do mesmo. “A agricultura familiar hoje é responsável pela produção de diversos ramos no campo da produção de alimentos, da soberania e segurança alimentar e nutricional, da sustentabilidade socioambiental, ela também é importante no sentido de gerar trabalho e renda e, também, no campo fitoterápico. Então acho que esse encontro foi muito importante, pois ajudou a reforçar toda essa ideia de protagonismo social dos agricultores e agricultoras”. Salienta o professor Reis.

Dona Mariza, do município de Filadélfia, se emocionou e gostou muito do evento. “Essa atividade me fez lembrar de quando eu era menina, a gente passou muita dificuldade por causa da seca, porque a gente não tinha essa ideia de economizar água nem produzir alimentos. Hoje, graças a Deus tamo bem melhor e pode melhorar mais ainda se a gente saber trabalhar”. Conta Dona Mariza.
 
O projeto teve grande importância nos Territórios Piemonte da Diamantina e Piemonte Norte do Itapicuru. Ao todo 885 famílias foram beneficiadas com as tecnologias de captação de água de chuva, fazendo com que as mesmas tenham uma vida mais digna, promovendo segurança alimentar e nutricional e geração de renda, mudando a realidade do semiárido e das famílias agricultoras.

O Projeto é realizado pela Cooperativa de Trabalho e Assistência à Agricultura Familiar Sustentável do Piemonte (COFASPI), fruto de um convênio entre o Governo do estado da Bahia, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (SEDES) e o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), em parceria com a Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA).

Fabiano Vidal
Comunicador Popular


quinta-feira, 23 de outubro de 2014

INTERCÂMBIO INTERESTADUAL: RICA AÇÃO DE TROCA E PARTILHA DE SABERES DE AGRICULTORES E AGRICULTORAS

“Na troca de experiência é que aprendemos muito mais”

O clima de alegria, entusiasmo e interesse em aprender mais, marcou o intercâmbio interestadual, entre 16, 17 e 18 de outubro, com agricultores e agricultoras familiares dos municípios de Várzea Nova, Ourolândia e São José do Jacuípe da Bahia, que partiram com destino ao município de Oricuri no Pernambuco, na busca de conhecer, ampliar e fortalecer aprendizados sobre estratégias de Convivência no Semiárido. Na viagem, a interação, brincadeiras, piadas, cantos e causos já tomava conta do intercâmbio que proporcionava muitos risos.

Os intercâmbios de experiências fazem parte do processo de formação e mobilização social para Convivência com o Semiárido do Programa Uma Terra e Duas Águas – P1+2, da Articulação Semiárido Brasileiro – ASA, que vem sendo executado pelo Movimento de Organização Comunitária – MOC em parceria com a Cooperativa de Trabalho e Assistência à Agricultura Familiar Sustentável do Piemonte – COFASPI. O intercâmbio, contou com apoio do Centro de Assessoria e Apoio aos Trabalhadores e Instituições Não-Governamentais Alternativas – CAATINGA.

No começo do dia, depois do merecido descanso e apesar das interações durante a viagem, a velha metodologia de apresentação para conhecer e saber de onde vinha cada um/uma. E as brincadeiras e piadas continuavam, arrancando altas risadas. Logo Dona Iridan apelidou dona Maria de Gatinho, em homenagem a um gato que passeava por lá. E assim, seguiram para as visitas.

A primeira visita foi realizada na sede rural da CAATINGA, na comunidade Lagoa do Urubu, que desenvolve ações que contribuem para a sustentabilidade dos agroecossistemas locais e de educação agroecológica, entre seus projetos esta o artesanato de madeira feito por um grupo de jovens. A animadora de campo, Cledivânia Lopes, apresentou um pouco sobre esse projeto. “A nossa sede aqui recebia muitas visitas de jovens, então o CAATINGA resolveu trazer algo que ocupassem o tempo deles, além de proporcionar renda, autonomia e permanência no campo. (...) Hoje, o grupo diminuiu, mas os que ficaram segue em frente com vontade e alegria, mesmo com os desafios a serem enfrentados”.

Após um delicioso almoço e bons papos, a visita seguinte foi no Assentamento Agrovila Nova Esperança, onde existe um projeto na escola da comunidade, que além de trabalhar com os alunos a Educação Contextualizada, fazem práticas agroecológicas, como canteiros econômicos, adubos orgânicos, biofertilizante, viveiro de mudas e casa de sementes, para incentivo da produção de alimentos sem o uso de agrotóxicos. O Agente Promotor de Agroecologia (APA) da CAATINGA, Romerio Mendes, explica como acontece esse trabalho. “Os alunos aqui estudam as disciplinas que já conhecemos dentro da Educação Contextualizada e ainda fazem um trabalho com hortas, tendo como base a agroecologia. (...) Meu trabalho é acompanhar as famílias e orientar na produção agroecológica, livre de veneno. São práticas muita rica para o nosso Semiárido. (...) A que acho mais linda é a prática de guardar semente, é o luxo do nosso Sertão”.

Ainda na mesma comunidade, em um lindo quintal produtivo, o senhor José Nilton aguardava para contar e mostrar sua experiência. “Nossa que coisa linda”! Essa foi a reação do povo quando viram a belezura e diversidade daquele quintal, implantado em um lugar que sofre logos períodos de estiagem. Puderam perceber que com determinação as alternativas de convivência superam os desafios encontrados. “Estava me preparando para ir embora, quando a CAATINGA chegou com essa novidade de quintal produtivo, ai resolvi encarar e deu certo. De lá pra cá estamos criando e inventando meios de conviver, sem pensar em sair do nosso lugar”, conta o agricultor experimentador José Nilton.

Entre uma experiência e outra os cochichos, anotações e registros do que ali era visto e ouvido. “Quero aprender muita coisa boa, pois tenho pouco conhecimento com essas práticas, mas tenho muito interesse em aprender”, diz dona Iridan. Já o senhor Silvinio, fala em fortalecer o que tem. “Tenho uma boa produção para o consumo, agora com esse tão de biofertilizante que apendi, vou tentar aumentar mais um pouquinho. Se Deus quiser”!

Voltando para seus aconchegos, deixam um pouco de seus saberes e leva um pouco de outros, na esperança de renovar energias nas suas experiências de conviver bem no Semiárido.


E para agradecer Dona Averita da Silva canta uma linda canção:

“Senhor, eu quero agora te agradecer
Por tudo que o Senhor me fez saber
São coisas que eu nunca merecia
Senhor, aceite essa minha humilde canção
Que sai de dentro do meu coração
Agradeço primeiramente a ti Senhor”.




 Robervânia Cunha – Comunicadora Popular da COFASPI



segunda-feira, 20 de outubro de 2014

PRÊMIO MANDACARU II: FORTALECENDO AS FEIRAS AGROECOLÓGICAS NO PIEMONTE

                                    “Nós não somos sós,  somos uma rede de feiras, que se fortalece e  se anima para trabalhar e seguir em frente” . Veraneide –Saúde.

A Rede de Feiras Agroecológicas Solidárias do Piemonte da Diamantina – REFAS recebeu nos dias 09 e 10 de outubro, a visita da coordenadora técnica do Prêmio Mandacaru II, Maiti Fontana, Consultora Socioambiental do Instituto Ambiental Brasil Sustentável (IABS), que se reuniu com a equipe do Projeto de Apoio à Prática Inovadora de Fortalecimento da Rede de Feiras Agroecológicas do Piemonte da Diamantina como estratégia de Convivência com o Semiárido,  apoiado pelo Prêmio Mandacaru II e  executado pela Cooperativa de Trabalho e Assistência à Agricultura Familiar Sustentável do Piemonte (COFASPI).

Na oportunidade, Maiti visitou agricultores/as em suas propriedades e as Feiras agroecológicas apoiadas pelo prêmio nos municípios de Jacobina Caém e Saúde.
A Rede de Feiras Agroecológicas do Piemonte surgiu como uma oportunidade de fortalecer as 10 Feiras Agroecológicas existentes nos municípios que compõem o Território. Dessa forma, o Prêmio Mandacaru II, apoiou as feiras com visitas e assistência técnica, oficinas, intercâmbios de experiências e suporte com materiais de comunicação que além de reforçar a importância de consumir alimentos saudáveis e livres de agrotóxicos também está divulgando as feiras nos municípios.


Após uma reunião na sede da COFASPI, a coordenadora do Prêmio Mandacaru fez visita de campo nas propriedades dos agricultores/as que participam das feiras nos respectivos municípios. Visitas estas onde pode ser evidenciado o processo produtivo de agricultores que prezam pela agroecologia e preservação do meio ambiente como todo, garantindo à mesa da população, alimentos livres de agrotóxicos.


Em cada fala ou olhar, os agricultores/as expressavam a mudança de vida a partir da produção agroecológica, garantindo alimentação saudável à suas famílias, além de possibilitar aumento da renda através da comercialização do excedente desta produção.

Como diz dona Zenaide (Feira/Saúde), começamos da raiz, lutamos muito para formar a nossa feirinha, mas graças a Deus conseguimos. (...) Os intercâmbios que a gente participou foram muito bons, conhecemos gente nova e aprendemos muita coisa que veio com o Prêmio Mandacaru.  A gente ver que as pessoas ainda não têm consciência, mas precisam saber qual alimento que tão levando para sua família.
“A feira foi a realização de um sonho e vem para nos completar. (...) Eu acho que o diferencial da feira orgânica é que além de gerar nossa renda, os produtos que comercializamos ajuda as pessoa  a ter um a vida de qualidade, consumindo alimentos saudáveis. Então tudo isso só vem a somar na nossa vida”. Janete Rodrigues/Feira Agroecológica de Caém.

Por fim, o prêmio Mandacaru tem contribuído e muito com a melhoria da qualidade de vida das pessoas do território, garantindo alimentos saudáveis e gerando renda, nesta perspectiva, a agricultura tem se fortalecido como ações como estas desenvolvidas pela COFASPI e outras entidades que acreditam sem medo de errar que a agricultura familiar é além de tudo uma alternativa viável para reduzir as desigualdades sociais e o êxodo rural numa perspectiva de emancipação do ser humano que torna-se protagonista da sua história fazendo do campo do Semiárido, um lugar cada vez melhor de se viver.