Mostrando postagens com marcador agricultura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador agricultura. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 27 de julho de 2011

25 de Julho: Dia de quem cultiva a terra e luta pela vida

Por Pilato Pereira - CPT/RS

Popularmente se diz que o 25 de Julho é o "Dia do Agricultor", mas em muitos locais se diz "Dia do Colono" e ultimamente se recupera um sentido mais original para quem trabalha no campo e se diz que é o "Dia do Camponês". Na verdade o "Dia do Agricultor" é 28 de Julho, data instituída a partir do centenário da criação do Ministério da Agricultura, em 1960, por decreto do presidente Juscelino Kubitschek. Já a data de 25 de Julho, como "Dia do Colono" é uma homenagem aos "colonos" estrangeiros que imigraram ao Brasil no final do século 19 início do século 20.

Mas, hoje, quando se fala em agricultor, colono ou camponês, já se sabe que se refere ao pequeno agricultor, o homem e a mulher que trabalham na agricultura familiar e camponesa. E quando se refere aos grandes, os latifundiários e ruralistas, eles gostam de serem chamados de "produtores rurais". E a imprensa frisa muito bem esta terminologia. De fato eles produzem e muito. Produzem, em primeiro lugar, a fome e a miséria porque roubam a terra de quem dela precisa. Produzem riqueza para eles. Os grandes não cultivam a terra, simplesmente arrancam dela o lucro.

Enquanto o pequeno agricultor, o colono, o camponês cultiva a terra, semeando a boa semente para colher o pão de cada dia que alimenta sua família e nutre o Brasil, o dito produtor rural trabalha com dinheiro e na terra põe o transgênico e o veneno e colhe muito mais dinheiro. Você já viu um produtor rural produzir sem dinheiro? Ele usa dinheiro público para arrancar da terra mais riqueza para ele próprio. Mas o pequeno agricultor, que nem sempre tem recursos para cultivar a terra, trabalha na fé, na coragem e no amor.

Mas, a mulher e o homem que, com simplicidade, cultivam a terra, também são cultivados por ela e aprendem a lutar pela sua dignidade e pelo respeito a vida. Quando pessoas simples e humildes se levantam do chão como plantas que querem florir, é porque a terra cultivou seus corações e mentes e aprenderam na vida que é preciso lutar para viver. Por isso, nesta data, é preciso enaltecer mulheres e o homens que, cultivando a terra, aprendem a lutar.
25 de Julho deve ser um dia para celebrar e lutar, porque a vida do pequeno agricultor, colono ou camponês é marcada pela luta, mas com muita mistica e amor com a terra.

terça-feira, 21 de junho de 2011

COFASPI - Capacitação de pedreiros tem como resultado a construção da primeira cisterna calçadão da região de Jacobina

COFASPI em convênio com a ASA realiza mais uma ação do Programa Uma Terra e Duas Águas 


Texto e Foto: Karine Silva 

Família e pedreiros pousam para foto ao lado da cisterna e ao fundo, o calçadão

Tecnologia social que irá beneficiar 77 famílias é o motivo da formação de pedreiros dos municípios de Miguel Calmon, Jacobina e Caém. No chão batido do povoado Alecrim, município de Miguel Calmon, Bahia,  aconteceu de 7 a 16 de junho de 2011 o primeiro curso de Pedreiros para a construção da cisterna-calçadão do Território Piemonte da Diamantina. Esta capacitação trata-se de mais uma das ações do Programa Uma Terra e Duas Água (P1+2) realizadas na Região de Jacobina pela Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), em parceria com o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). Na região de Jacobina, na Bahia, o Programa é executado pela Unidade Gestora Cofaspi.

Na capacitação, os participantes tiveram acesso às informações sobre a importância e a responsabilidade em se construir cisterna-calçadão para as famílias beneficiadas com o Programa Uma Terra e Duas Águas, da ASA – P1+2. Na oportunidade foi abordada a importância desta tecnologia para se garantir a soberania alimentar das famílias que encontram dificuldades de acesso a água para a produção de alimentos no semiárido baiano. A partir disso, os cisterneiros destacaram a necessidade de se estabelecer um bom relacionamento com as famílias com as quais irão trabalhar durante a construção das cisternas. 

Seu Anchieta durante o momento teórico do curso
Para Seu Anchieta, instrutor do curso, pedreiro, agricultor, defensor do meio ambiente e do alimento orgânico, “a cisterna é uma tecnologia que poucos pedreiros aqui na região sabem fazer e a realização deste curso é uma oportunidade de capacitar os pedreiros da própria comunidade que são trabalhadores rurais”. A cisterna-calçadão é uma novidade na região, mas ele disse que se sente feliz de realizar este trabalho a mais de 20 anos, primeiro com a construção das cisternas de consumo e agora com a cisterna para a produção, que permite o acesso destas famílias a água nas suas casas, seja para beber ou para a plantação. 

Macílio aprende com Seu Anchieta os detalhes
de  como amarar as paredes da cisterna
Na prática, os pedreiros aprenderam o passo a passo para erguer esta construção social, que se iniciou com a preparação dos componentes e da base: placas, vigas, piso, paredes, coluna central da cisterna e por fim o acabamento das paredes, a colocação das vigas e placas da tampa da Cisterna. Em seguida, após escolher o local adequado, foi a construção do calçadão de 200 m², que consistiu em erguer muro, o piso e o decantador, finalizando a construção desta tecnologia social. 

O pedreiro mais novo da equipe, Marcílio de 21 anos, que está aprendendo uma nova profissão e garantindo a sua renda, diz que gosta do que faz e se sente satisfeito em fazer parte desta equipe, pois “aprendo uma profissão diferente e ainda ajudo as pessoas para que elas tenham onde guardar a água da chuva”, enfatiza. 

Família sentada no calçadão da cisterna de produção do P1+2
Ao final do curso a cisterna calçadão ficou pronta para o uso da família de D. Idábola, Seu Olímpio e seu filho. Para eles, que moram em uma região que não tem barreiro e o solo não segura água, “esta obra veio para termos um lugar onde guardar a água que cai da chuva, pois aqui passa água para encher rio e a gente não tinha como armazenar”, disse Seu Olímpio. 

Com esta cisterna, com capacidade para armazenar 52 mil litros de água, a família vai poder estocar água da chuva e com isto potencializar o cultivo de hortaliças e fruteiras ao lado da sua propriedade, principalmente, em período de estiagem. Para Seu Olímpio, que já produz alguns alimentos (couve, quiabo, alface, coentro, mamão, feijão verde) numa área próxima a barragem comunitária que fica a mais de 2 km de sua propriedade, esta é uma oportunidade de fortalecer a produção existente, realizar este trabalho perto de casa e ainda contar com a ajuda de todos os membros da família nesta tarefa. Ele já sonha com os benefícios que esta cisterna-calçadão pode trazer, como a possibilidade de trabalhar com fruticultura e produzir mesmo no período de seca. 

A esposa enfatiza que vai ser uma oportunidade dela contribuir ainda mais nas atividadesda roça, já que no momento, por motivo de doença, ela não pode ir até a barragem com a frequência que gostaria para fazer a colheita e plantação das hortaliças. 

Pedreiros do curso acompanham o mutirão
comunitário para a escavação do buraco da cisterna
A formação dos pedreiros foi o primeiro passo para se iniciarem as construções das outras 76 cisternas previstas no Programa Uma Terra e Duas Águas nos municípios de Jacobina, Miguel Calmon e Caém. O P1+2 é uma realização da ASA, em parceria com o MDS e está sendo executado na região pela Unidade Gestora COFASPI. 

Logo postaremos no nosso blog o vídeo da capacitação do curso de pedreiros que culminou com a construção da primeira cisterna-calçadão do P1+2.


Veja mais fotos da construção da 1ª cisterna calçadão do Piemonte da Diamantina:


Parte da Equipe do P1+2 - COFASPI
Família beneficiada pela cisterna calçadão

Propriedade da família