terça-feira, 15 de julho de 2014


Com apoio do Prêmio Mandacarú e em parceria com a CÁRITAS Regional Nordeste 3, foi realizado nos dias 7 e 8 de julho de 2014 na sede da COFASPI, em Jacobina, a 1ª Oficina de formalização da REFAS.

A oficina contou com a assessoria do Advogado Dr. Hudson, do educador popular Professor Reis e Fabrício, representante da Cáritas. Para Juliana, membro da REFAS, esta é uma oportunidade de fortalecer as feiras agroecologicas como espaço de comercialização de produtos da agricultura familiar, produzidos sem uso de agrotóxico, de maneira justa e orgânica respeitando a biodiversidade em todo o processo de produção, oferecendo à população do território produtos de qualidade tendo como base de todo ciclo produtivo os princípios da economia solidária.

A Rede de Feiras Agroecológicas tem surgido como uma oportunidade de potencializar, fortalecer e viabilizar o funcionamento das feiras agroecologicas existentes nos municípios que compõem o Território Piemonte da Diamantina.

A proposta da oficina é estudar a melhor forma de constituir juridicamente a rede, e assim criar uma associação que possa potencializar a mesma no território, além de fortalecer o fundo rotativo solidário e responder às demandas das organizações, criando um mundo de possibilidades para o protagonismo das mulheres e jovens agricultores/as com alternativas para permanecer no campo e de lá tirar o seu sustento, gerando renda e assegurando a melhoria da qualidade de vida dos envolvidos.

Intercâmbio: socializando saberes transformando vidas

Nos dias 10 e 11 de junho, a COFASPI (Cooperativa de Trabalho e Assistência à Agricultura Familiar Sustentável do Piemonte), unidade gestora do Programa Uma Terra e Duas Águas – P1+2, da Articulação Semiárido Brasileiro – ASA, realizou o primeiro intercâmbio intermunicipal com agricultores e agricultoras de comunidades do município de Jacobina/BA, mostrando experiências que deram certo a partir do uso de tecnologias sociais voltadas para produção de alimentos saudáveis, sem uso de veneno, buscando valorizar a convivência no Semiárido.

No primeiro dia, a visita aconteceu na comunidade Inácio João, município de Caém/BA em quatro propriedades, de Janete Rodrigues da Silva, Isabel Neves dos Santos, Edinalva Neves dos Santos e Isneves dos Santos Barreto, elas conquistaram a tecnologia cisterna-calçadão e vem produzindo alimentos com base nos princípios Agroecológicos, utilizando técnicas de plantio adquiridas na capacitação do SISMA, como construção de canteiro econômico, compostagem, defensivos naturais, cobertura morta entre outros. Dessa forma, elas levam alimentos naturais para o consumo da família, além de comercializar o excedente no espaço da Feira Agroecológica de Caém.

Nas boas vindas, Janete ressalta importância de ter conquistado a cisterna. “A gente tem muito orgulho de ter recebido essa cisterna e trabalhar com ela. (...) Sabemos o que levamos pra casa e ainda temos uma renda extra”. Dona Isabel expressa palavras de incentivo. Que vocês aprendam e coloquem em prática também como nós fizemos. “É uma mudança de vida muito boa”!

Nesse sentindo, o intercâmbio objetiva a troca de conhecimento entre agricultores/as que incentivem o desenvolvimento sustentável do Semiárido. “É um desafio grande produzir orgânico, mas é prazeroso saber que os alimentos são naturais. Que o beneficio para nós e para os consumidores da feirinha são grandes. (...) A minha vida mudou completamente, antes não produzia nada, comecei do zero depois da cisterna. É uma mudança e transformação de vida que só é possível para quem acredita”, conta Janete.


No segundo dia, os agricultores/as tiveram a oportunidade de visitar a Feira Agroecológica de Jacobina, que faz parte do Projeto Promoção e Fortalecimento de Fundos Rotativos Solidários e Feiras Agroecológicas Solidárias no Território Piemonte da Diamantina - Estado da Bahia, com objetivo de proporcionar a capacitação e organização dos produtores e produtoras na lida com a agricultura familiar, além de aumentar a renda e atender o consumo da família. Esse projeto foi executado pela COFASPI nos municípios do Território Piemonte da Diamantina.

A alegria, interação e participação dos agricultores/as foram marcantes nos dois dias de intercâmbio, no momento final puderam refletir e debater sobre as experiências visitadas e expressar o que foi aprendido e pretende pôr em prática em suas propriedades. Fechando assim, com um circulo de orações e agradecimentos por momentos como esses, ricos e cheios de possibilidades que encanta e faz vibrar o povo Semiárido.




Robervânia Cunha, Comunicadora da COFASPI

sexta-feira, 11 de julho de 2014

COFASPI CONCLUI CONSTRUÇÃO DE 1.119 CISTERNAS DE CONSUMO HUMANO NO TERRITÓRIO PIEMONTE DA DIAMANTINA.


A cisterna de placa (cimento e concreto), com capacidade de armazenar 16.000 litros de água é uma Tecnologia Social que está sendo disseminada no Semiárido Brasileiro através da ASA (Articulação do Semiárido) e conta com o apoio de entidades e Organizações como a COFASPI (Cooperativa de Trabalho e Assistência à Agricultura Familiar Sustentável do Piemonte), e tem por objetivo garantir água de qualidade para consumo às famílias do campo situadas na região semiárida, e nesta perspectiva melhorar a qualidade de vida das mesmas a partir da reflexão que a captação de água da chuva garante possibilidades para redução da carga de trabalho, sobretudo de mulheres e crianças, disponibilidade e facilidade de acesso de água potável, redução do êxodo rural, melhoria da saúde das famílias e, sobretudo, de reflexões sobre convivência com o semiárido, considerando que a água é apenas um elemento que faz parte deste debate.


A COFASPI, com Sede em Jacobina, tem contribuído neste processo garantindo água de qualidade a famílias do semiárido situadas em municípios do Território Piemonte da Diamantina, levando mais que estruturas de cimento e concreto, as cisternas tem garantido vida digna e novas possibilidades de homens e mulheres da zona rural e que escolheram a agricultura familiar como fonte de subsistência e renda.


segunda-feira, 7 de julho de 2014

Sistema Simplificado de Manejo de Água para Produção – SISMA


A capacitação de SISMA é uma ação rica e importante, pois compartilha e soma os saberes de cada agricultor e agricultora com outros aprendizados, vindos de um processo de mobilização e formação para Convivência no Semiárido. Essa ação faz parte do Programa Uma Terra e Duas Águas – P1+2 da Articulação Semiárido Brasileiro – ASA, executado no Território Piemonte da Diamantina pela Cooperativa de Trabalho e Assistência à Agricultura Familiar Sustentável do Piemonte - COFASPI.

A busca por conquistas de melhores e mais alternativas de viver bem no campo, deu vez a chegada da segunda água para famílias da comunidade de Baixa do Couro, Estrada Nova, Paudarquinho e Várzea Nova, do município de Jacobiana/BA. Assim, um momento marcante do SISMA é a parte prática, que aconteceu com a construção de canteiro econômico, compostagem, defensivos naturais (Nim, alho e arruda), cobertura morta entre outros.

A dona da propriedade que cedeu espaço para fazer as atividades práticas, Ivanete Borges da Silva, viu nesse momento a importância de descobrir um jeito diferente de ver a região e até mesmo sua terra. “Realmente não sabia que coisas tão simples podiam mudar e melhora nossos plantios, como as folhas seca que viram cobertura morta que fortalece a terra e ajuda a dar bons frutos”, afirma Ivanete. 







Robervânia Cunha, Comunicadora COFASPI

terça-feira, 1 de julho de 2014

Por que o novo decreto de Dilma não é bolivariano

O decreto 8243 institucionaliza uma política que já existe e aprofunda a democracia na medida em que aproxima a sociedade civil e o Estado

A presidente Dilma Rousseff assinou, no último dia 21, um decreto que institui a Política Nacional de Participação Social. De acordo com o decreto “fica instituída” a política, “com o objetivo de fortalecer e articular os mecanismos e as instâncias democráticas de diálogo e a atuação conjunta entre a administração pública federal e a sociedade civil”.
Com este objetivo o governo reforçou institucionalmente uma política que vem desde 2003, quando, ainda em 1º de janeiro, o ex-presidente Lula assinou a medida provisória 103, na qual atribui à Secretaria Geral da Presidência o papel de “articulação com as entidades da sociedade civil e na criação e implementação de instrumentos de consulta e participação popular de interesse do Poder Executivo na elaboração da agenda futura do Presidente da República...”
A partir daí, uma série de formas de participação foram introduzidas pelo governo federal, que dobrou o número de conselhos nacionais existentes no país de 31 para mais de 60, e que realizou em torno de 110 conferências nacionais (74 entre 2003 e 2010 e em torno de 40 desde 2011). Assim, o decreto que instituiu a política nacional de participação teve como objetivo institucionalizar uma política que já existe e é considerada exitosa pelos atores da sociedade civil.
Imediatamente após a assinatura do decreto iniciou-se uma reação a ele capitaneado por um grande jornal de São Paulo que, em sua seção de opinião, escreveu o seguinte: “A presidente Dilma Rousseff quer modificar o sistema brasileiro de governo. Desistiu da Assembleia Constituinte para a reforma política - ideia nascida de supetão ante as manifestações de junho passado e que felizmente nem chegou a sair do casulo - e agora tenta por decreto mudar a ordem constitucional. O Decreto 8.243, de 23 de maio de 2014, que cria a Política Nacional de Participação Social (PNPS) e o Sistema Nacional de Participação Social (SNPS), é um conjunto de barbaridades jurídicas, ainda que possa soar, numa leitura desatenta, como uma resposta aos difusos anseios das ruas.”
Assim, segundo o jornal paulista, o Brasil tem um sistema que é representativo e este foi mudado por decreto pela presidente. Nada mais distante da realidade.
Em primeiro lugar, o editorialista parece não conhecer a Constituição de 1988, que diz no parágrafo único do artigo primeiro: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”. Ou seja, o legislador constituinte brasileiro definiu o país como um sistema misto entre a representação e a participação. Se é verdade que as formas de representação foram muito mais fortemente institucionalizadas entre 1988 e hoje, isso não significa que temos no Brasil um sistema representativo puro, tal como ele existe em um país como a França. Pelo contrário, a verdade é que o espírito da Constituição fica muito melhor representado a partir do decreto 8243, que institucionaliza uma nova forma de articulação entre representação e participação de acordo com a qual a sociedade civil pode sim participar na elaboração e gestão das políticas públicas. Mas, ainda mais importante do que restaurar a “verdade constitucional” é se perguntar qual sentido faz instituir um sistema de participação?
A resposta a esta pergunta é simples e singela. A temporalidade da representação está em crise em todos os países do mundo. Por temporalidade, deve se entender a ideia de que a eleição legitima a política dos governos durante um período extenso de tempo, em geral de quatro anos. Hoje vemos, no mundo inteiro, pensando em Obama nos Estados Unidos e Hollande na França, uma enorme mudança na maneira como a opinião pública vê os governos.
Temos um novo fenômeno que o filósofo francês Pierre Rosavallon classifica da seguinte maneira: a legitimidade das eleições não é capaz por si só de dar legitimidade contínua aos governos. Duas instituições estão fortemente em crise, os partidos e a ideia de governo de maioria. É sabido que a identificação com os partidos cai em todo o mundo, até mesmo nos países escandinavos onde ela era mais alta. É isso o que justifica a entrada da sociedade civil na política, não qualquer impulso bolivariano, tal como alguns comentaristas pouco informados estão afirmando.
A sociedade civil traz para a política um sistema de representação de interesses que os partidos não são mais capazes de exercer devido a sua adaptação a um sistema privado de representação de interesses e financiamento com o qual a sociedade não se identifica. O mais curioso é que ninguém mais do que os órgãos da grande imprensa adotam o exercício de mostrar como o poder da maioria pela via da representação não é capaz de legitimar o governo. Lembremos alguns exemplos recentes: a rejeição da nomeação do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) para a Comissão de Direitos Humanos da Câmara ou o apoio às manifestações populares pelo Movimento Passe Livre em junho de 2013. Em todas estas questões o que esteve em jogo foi a capacidade da sociedade civil de apontar uma agenda para o governo. O que o Sistema Nacional de Participação faz é institucionalizar esta agenda reconhecendo que existe uma representação exercida pela sociedade civil.
Vale a pena desenvolver um pouco mais este ponto. A representação é uma autorização dada por uma pessoa para alguém atuar em nome dela. Este é o fundamento do seu exercício que existe em todos os países. Mas existe uma questão adicional que reside no fato da representação das pessoas se dar através de uma autorização ampla que não consegue alcançar temas que não são majoritários ou que têm uma agenda mais volúvel. Assim, o sistema representativo é sempre ruim para representar questões tais como direito das minorias ou temas importantes como o meio ambiente ou até mesmo políticas públicas como a de saúde. Exemplos sobre a incapacidade do Congresso Nacional de agir nestas áreas abundam no Brasil. Lembremos a incapacidade de votar a união homoafetiva, a ação afirmativa, de aprovar o Código Florestal, todas legislações com fortíssimo apoio na sociedade, mas que não conseguiram tramitar no Congresso devido a lobbies muito fortes. No caso da união homoafetiva e da ação afirmativa sua legalidade acabou sendo determinada pelo Supremo Tribunal Federal. No caso do Código Florestal este contou com um veto da presidente e mais uma medida provisória bastante polêmica no interior do Congresso. Todos estes episódios mostram que há uma incapacidade do legislativo de se conectar com a sociedade, devido à maneira como o sistema de representação opera no país. Em geral tem cabido ao Supremo preencher esta lacuna, mas o mais democrático e o mais adequado é um envolvimento maior da sociedade civil nestes temas por via de instituições híbridas que conectem o executivo e a sociedade civil ou a representação e a participação.
Este modelo, que está longe de ser bolivariano, está presente, na verdade, nas principais democracias do mundo. Os Estados Unidos tem o modelo de participação da sociedade civil no meio ambiente por meio dos chamados “Habitat Conservation Plannings”. A França tem o modelo de participação da sociedade civil nas políticas urbanas através de contratos de gestão nos chamados “Quartier Difficile”. A Espanha tem a participação da sociedade civil no meio ambiente através de “juris cidadãos”. A Inglaterra instituiu mini-públicos com participação da sociedade civil para determinar prioridades políticas na área de saúde.
Todas as principais democracias do mundo procuram soluções para o problema da baixa capacidade do parlamento de aprovar políticas demandadas pela cidadania. A solução principal é o envolvimento da sociedade civil na determinação de políticas públicas. A justificativa é simples. Ninguém quer acabar com a representação, apenas corrigir as suas distorções temporais em uma sociedade na qual o nível de informação da cidadania aumentou fortemente com a internet e as redes sociais e na qual os cidadãos se posicionam em relação a políticas específicas. Ao introduzir uma participação menos partidária e com menor defesa de interesses privados na política tenta-se reconstituir mais fortemente este laço. Assim, o que o decreto 8243 faz não é mudar o sistema de governo no Brasil por decreto e nem instituir uma república bolivariana. O que ele faz é aprofundar a democracia da mesma maneira que as principais democracias do mundo o fazem, ao conectar mais fortemente sociedade civil e Estado. 

Fonte: Carta Capital
Foto / imagem: Foto: Divulgação


sexta-feira, 27 de junho de 2014

Estudo Aponta relação entre uso de agrotóxico e autismo

Uma mulher grávida que vive perto de uma fazenda onde são utilizados pesticidas tem 66% mais chances de ter uma criança autista, revelam pesquisadores da Universidade da Califórnia Davis em um estudo publicado nesta segunda-feira.
Esta pesquisa publicada na revista Environmental Health Perspectives analisa a associação entre viver perto de um lugar onde são usados pesticidas e os nascimentos de crianças autistas, apesar de não deduzir uma relação de causa e efeito.
O autismo é um transtorno de desenvolvimento que atinge uma em cada 68 crianças nos Estados Unidos. Um número crescente em relação a 2000, quando a desordem afetava uma em cada 150 crianças americanas.
Os pesquisadores compararam dados sobre a utilização de pesticidas na Califórnia na residência de 1.000 pessoas que participaram de um estudo de famílias com crianças autistas.
“Observamos onde viviam os participantes do estudo durante a gravidez e no momento do nascimento”, explicou um dos autores do estudo, Irva Hertz-Picciotto, vice-presidente do departamento de Ciências e Saúde Pública da Universidade Davis da Califórnia.
“Constatamos que foram utilizados vários tipos de pesticidas, em sua maioria perto das casas onde as crianças desenvolveram autismo ou distúrbios cognitivos.”
Cerca de um terço dos participantes do estudo vivia a entre 1,25 e 1,75 quilômetros de onde foram usados pesticidas.
Os pesquisadores também descobriram que os riscos foram maiores quando o contato com o pesticida se deu entre o segundo e o terceiro mês de gravidez.
O desenvolvimento do cérebro do feto poderia ser particularmente sensível a pesticidas, de acordo com os autores do estudo.
“Este estudo confirma os resultados de pesquisas anteriores que constataram ligações na Califórnia entre o fato de uma criança ter autismo e estar exposto a produtos químicos agrícolas durante a gravidez”, indicou Janie Shelton, co-autora do estudo.
“Apesar de ainda termos que ver se alguns subgrupos são mais sensíveis do que outros a exposição a pesticidas, a mensagem é clara: as mulheres grávidas devem prestar atenção e evitar qualquer contato com produtos químicos agrícolas.”
Neurodevelopmental Disorders and Prenatal Residential Proximity to Agricultural Pesticides: The CHARGE Study
Environ Health Perspect; DOI:10.1289/ehp.1307044
http://ehp.niehs.nih.gov/1307044/

quarta-feira, 25 de junho de 2014

COFASPI realiza oficina de incentivo ao fortalecimento das Feiras Agroecológicas do Piemonte


A Cooperativa de Trabalho e Assistência à Agricultura Familiar Sustentável do Piemonte – COFASPI, realizou nesse domingo 15 de junho, um oficina com o grupo da Feira Agroecológica de Capim Grosso/BA, que aconteceu na comunidade de Furtuoso. Essa ação faz parte do projeto de Apoio a Práticas Inovadoras de Fortalecimento da Rede de Feiras Agroecológica do Piemonte da Diamantina como estratégia de Convivência no Semiárido, vindo através do prêmio Mandacaru II.
“O objetivo geral do projeto apresenta como proposta o apoio, fortalecimento e consolidação de Rede de Feiras Agroecológicas do Piemonte da Diamantina (REFAS PIEMONTE), vem em formato que estimulará as práticas de comércio justo e solidário estimulando junto aos agricultores (as) e comunidades o consumo consciente e uma produção diversificada fomentando as práticas construídas a partir dos princípios da agroecologia e economia solidária, bem como facilitar os processos de formação e logística, contemplando desde a produção até a comercialização nas comunidades, além de atuar na requalificação dos espaços destinados às feiras-livres e resgatar a história das comunidades aproximando o campo da zona urbana como prática inovadora de convivência com o Semiárido”.
A oficina faz parte da metodologia de execução do projeto, que visa, através de visitas de campo, monitoramento e reuniões diagnosticar e mapear a unidade de produção familiar, identificando os principais problemas e potencialidades, além de construir com a família, efetivar as ações ou técnicas percebidas como necessidades ou oportunidades de cada unidade de produção familiar. E ainda pensar junto com a família, o planejamento produtivo e a preparação para as capacitações, visando o fortalecimento da rede de Feiras Agroecológicas.
Nesse sentido, as discussões e reflexões foram em torno dos desafios e das estratégias para fortalecer, crescer e diversificar com qualidade a produção das famílias que fazem parte da Feira Agroecológica, assim como incentiar outras famílias que produzem também se unir ao grupo na comercialização.
O reforço das discussões, venho das visitas nas produções de Seu Jorge e na de Seu Edvaldo, despertando uma analise e um compartilhamento de experiência e saberes de como eles vem produzindo e identificando estratégias para melhorar e ampliar a produção de hortaliças e frutíferas para atender cada vez mais a demanda da Feira e possivelmente poder expandir o comercio por encomenda ou PAA e PNAE.






Para seu Jorge, esses momentos são valiosos, pois permite aprender com seus colegas de barraca e incevita bastante melhoria na ampliação e qualificação da produção e da organização do espaço da “feirinha”. “Esses encontros nossos assim, nos faz acreditar nas melhorias que podemos ter com nossa união”, afirma seu Jorge.


Robervânia Cunha, Comunicação COFASPI

quinta-feira, 12 de junho de 2014

SISMA incentiva a produção de alimentos livre de Agrotóxicos



Nos dias 03, 04 e 05 de junho foi realizada na comunidade Saracura, município de Jacobina, a formação em Sistema Simplificado de Manejo de Água para Produção de Alimentos (SISMA), pelo Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), executada pela Cooperativa de Trabalho e Assistências a Agricultura Familiar Sustentável do Piemonte (COFASPI). Financiado pelo Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).


O encontro discutiu temáticas voltadas para convivência com o Semiárido e para o manejo da água para a produção de alimentos. Tendo como principal objetivo a formação de agricultoras e agricultores familiar na produção de alimentos orgânicos dentro dos princípios da Agroecologia, fortalecendo os processos de convivência com a terra, clima, vegetação, entre outras. Essa convivência, que vem mudando a realidade do nosso Semiárido, desmitificando a ideia de que o Semiárido é uma “região ruim de viver” e de “combate à seca”, trazendo assim, outro olhar de conviver na região Semiárida, de valorização a terra, os saberes, a cultura e todas as riquezas que estar nesse Sertão.
 
Nesse sentido, as famílias agricultoras têm momentos de compartilhar e ampliar suas experiências sobre as ricas possibilidades de convivência com o Semiárido, segurança alimentar e nutricional, bancos de sementes crioulas, quintais produtivo, animais e plantas mais adaptadas a região, o perigo dos agrotóxicos, policultivo e muito mais. Dessa forma, o povo expressa positividade sobre essas ações de mobilização e formação, que faz parte do processo de construção das tecnologias sociais em suas propriedades.  “É muito interessante e proveitoso esses encontros, pois melhora a nossa vida e aprendemos novas alternativas,” relata seu Irineu. Reforçado dona Maria de Lucia, “quando usamos melhor o espaço do nosso quintal, podemos produzir varias coisa, e teremos mais variedades”.

 Outro momento rico foi com a visitada em uma propriedade na própria comunidade, realizando atividades práticas, como a compostagem (que tem como finalidade de recupera solos degradada quando utilizado no solo), montagem de um canteiro econômico, e a produção de defensivos naturais. O encontro aconteceu de forma participativa com colaborações de saberes e experiências dos agricultores (as), trabalhos em grupos e dinâmicas deixando assim, um ambiente bastante descontraído.







 Lucivânia Rios, Monitora do SISMA/COFASPI

terça-feira, 3 de junho de 2014

JUNHO EM FESTA

Junho... Entre o sagrado e o profano, a cultura do nordestino é manifestada, entre fogueiras, novenas, licores e quentões, uma comida tipa da região dá gosto às noites em que se festejam os santos Antonio, João e Pedro. Assim é a cultura nordestina, cheia de simbolismo, simplicidade e alegria.

Não se faz são João sem fogos, sem   Casamento matuto, quadrilha, quebra pote... e quem nunca fez uma simpatia para arrumar um amor na noite da fogueira? Pois é. Nossa cultura e nosso jeito de viver neste lindo lugar... Sertão das culturas, das cantorias e das riquezas que só sabe e conhece quem se permite viver e reverenciar as riquezas que somos e que temos.

Deste modo, os corações já se preparam para mais um mês de junho e cumprir sua sina, acender sua fogueira, dançar a quadrilha e  e no rítimo de forró festejar a vida.

Viva o mês de junho, viva a verdadeira e autêntica cultura nordestina... Viva o jeito de ser e viver no sertão brasileiro.

 #Boas festas!

Por: Farnésio Bráz/Comunicador COFASPI

segunda-feira, 2 de junho de 2014

O papel das cisternas no fortalecimento da agricultura familiar - uma oportunidade histórica no Semiárido brasileiro

Rodrigo de Castro - comunicador da ASA
30/05/2014

A cisterna se transformou em um símbolo do Semiárido brasileiro. Não um daqueles símbolos tradicionais, manjados e perversos que vemos na tela da TV e páginas dos jornais e revistas de grande circulação. Não estamos falando de galhos retorcidos e carcaças de animais, tampouco solo rachado. Estamos falando de um símbolo positivo, que significa estruturação, adaptação a uma realidade a qual, se possui as suas mazelas, ao mesmo tempo exibe muitas riquezas e potencialidades.

A cisterna é uma tecnologia social, nascida de uma ideia muito simples: se a chuva cai somente em alguns meses de forma concentrada, porque não guardá-la para usar quando ela não vem? A beleza da tecnologia social é ser acessível a qualquer pessoa ou organização que queira utilizá-la, e não ter que pagar nada para ninguém. Feita de placas de cimento, é muito resistente e facílima de construir, podendo ser construída por qualquer pessoa apenas com orientações básicas.


Assim, a ideia que nasceu da cabeça de seu Nel, lá nos anos 1950, foi se desenvolvendo e se espalhando ao longo dos anos. E hoje, mais de seis décadas depois, se transformou em política pública, graças à luta da sociedade civil organizada, principalmente através das organizações da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA).

Graças à atuação da ASA, buscando convencer o poder público da importância de garantir um meio de prover água de consumo humano a quem não tem, a cisterna ganhou envergadura, povoando as pequenas propriedades do Semiárido brasileiro aos milhares (pouco mais de 500 mil construídas até 2013, somente pela ASA), e se transformou em lei. Em outras palavras, o governo passou a ter a obrigação de investir na construção de cisternas para a população. 

A beleza maior da cisterna não é apenas ter um meio de guardar água da chuva. O significado maior dela é o protagonismo que ela proporciona aos agricultores e agricultoras, uma vez que seu processo de implementação é participativo desde o primeiro instante. Da mobilização e construção, passando pelas capacitações, que valoriza e fortalece o saber das comunidades, a cisterna é um verdadeiro instrumento de fortalecimento da agricultura familiar. O alicerce, que garante a necessidade mais básica de todo ser humano, a água para matar a sede. 

Mas se engana quem pensa que a cisterna é uma ação isolada. Garantir a água de beber é vital, porém é só o primeiro passo. Toda família agricultora precisa de água para produzir na sua terra, por isso a lógica de guardar, originada pela cisterna se desdobrou em outras tecnologias sociais, como as cisterna-calçadão e cisterna-enxurrada, os tanques de pedra, os 
barreiros trincheira e barragens subterrâneas.

O resultado disso é que, em pouco mais de uma década de construção de cisternas em larga escala, estima-se que mais de dois milhões de pessoas em todo o semiárido passaram a ter acesso à água de consumo, do lado de casa, sem pagar nada a ninguém. O impacto social desse dado é difícil de expressar em palavras. Como explicar em poucas linhas o que significa um ser humano conquistar o direito de ter acesso à água de qualidade? Da mesma forma, um número cada vez maior de famílias vem conquistando meios para sustentar sua produção agrícola, o que significa melhoria na qualidade da alimentação e incremento de renda. 

Fica claro que uma das chaves para promover desenvolvimento no semiárido é a água. Se agirmos na perspectiva de guardar água para usar nos meses de estiagem, é plenamente possível conquistar qualidade de vida no sertão, bastando para isso se adaptar as condições climáticas. Podemos dizer, assim, que a cisterna é um alicerce para o desenvolvimento da agricultura familiar, assim como um pilar para a política de convivência com o Semiárido.


Da janela, se avista a cisterna branca ao lado da casa 
| Foto: João Roberto Ripper / Arquivo Asacom          A conjuntura atual é positiva. A cisterna, desde 2013, é lei. É política pública, prevista no orçamento da União. A Organização das Nações Unidas (ONU) elegeu 2014 como o Ano Internacional da Agricultura Familiar, o primeiro ano internacional da ONU promovido pela sociedade civil. Ou seja, a agricultura familiar, constituída pelos pequenos agricultores e agricultoras, a base que verdadeiramente alimenta a população, nunca esteve em tamanha evidência. Essa é uma oportunidade histórica para a sociedade civil, que somos todos nós, avançar na construção de uma realidade mais digna para o Semiárido e o campesinato brasileiro. A luta é antiga, e já assistimos a avanços e retrocessos.

A cisterna é um instrumento de libertação. Que ela seja também um alicerce, um ponto de partida para que cada família, que já a conquistou, possa construir uma vida mais digna, e viver bem na terra onde reside.